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Real ou artificial? 7 ferramentas para investigar o que vemos online

Por André Bacêlo e Costa
André Bacêlo e Costa
Publicado
André Bacêlo e Costa em palco, com o título Real ou artificial?

Consegue distinguir uma imagem criada por Inteligência Artificial de uma fotografia verdadeira?

Durante algum tempo, havia uma resposta relativamente simples: procurar mãos com seis dedos, letras deformadas ou pormenores que não faziam sentido. Esses sinais ainda podem aparecer, mas já não podemos contar com eles. Uma imagem sem erros visíveis pode ter sido gerada por IA. E uma fotografia verdadeira pode estar a ser usada para contar uma história completamente falsa.

É esta segunda parte que acho que merece mais atenção. Podemos passar muito tempo a tentar perceber como foi criada uma imagem e esquecer-nos de perguntar o que ela está realmente a mostrar.

A boa notícia é que existem ferramentas que nos ajudam a investigar. Partilho sete, com uma preocupação: perceber para que serve cada uma e até onde nos permite chegar.

Para procurar sinais de criação com IA

1. SynthID

O SynthID, da Google, permite identificar marcas de água inseridas em conteúdos gerados com IA por sistemas compatíveis. Essas marcas não precisam de ser visíveis para nós.

Pode ser útil quando queremos investigar a origem de um conteúdo. Mas tem um limite importante: não encontrar uma marca não significa que estamos perante uma fotografia real. A ferramenta procura um sinal específico; há conteúdos gerados por IA que não o têm.

2. Content Credentials

As Content Credentials permitem consultar informações de proveniência quando essas credenciais estão presentes no ficheiro, como dados sobre a sua criação e as alterações registadas.

É uma forma de conhecer melhor o percurso de uma imagem. Não devemos, no entanto, confundir esse registo com uma garantia de que a história contada na publicação é verdadeira. E a ausência de credenciais também não prova que o ficheiro foi falsificado.

3. Hive AI Detector

O Hive disponibiliza ferramentas para analisar imagens, vídeos e áudio à procura de sinais de conteúdo sintético.

Pode ajudar a levantar uma suspeita e a decidir o que investigar a seguir. O resultado deve ser lido como uma estimativa sujeita a erro. Uma pontuação, por muito convincente que pareça, não substitui a confirmação por outras vias.

4. GPTZero

O GPTZero analisa padrões num texto para estimar se houve utilização de IA na sua escrita.

Aqui, o cuidado deve ser ainda maior. Um resultado pode justificar perguntas sobre o processo de escrita, mas não deve servir, sozinho, para acusar um aluno, um colega ou um autor. É preciso olhar para o trabalho, para as fontes e para a explicação de quem o escreveu.

Para perceber de onde veio o conteúdo

5. Google Lens

O Google Lens permite pesquisar a partir de uma imagem. Pode ajudar a encontrar outras páginas onde aparece a mesma fotografia, ou imagens semelhantes.

Imagine uma publicação que apresenta uma fotografia como sendo de um acontecimento de hoje. Encontrar essa imagem numa notícia antiga muda imediatamente aquilo que sabemos sobre a publicação. Ainda assim, é preciso abrir os resultados e confirmar datas e contexto.

6. TinEye

O TinEye também faz pesquisa inversa de imagens. Permite procurar correspondências e ordenar resultados, incluindo pelos mais antigos encontrados.

Esta última parte merece atenção: o resultado mais antigo que a ferramenta encontrou não é necessariamente a primeira publicação na Internet. E não encontrar resultados não prova que uma imagem é original.

7. InVID-WeVerify

O InVID-WeVerify reúne recursos de verificação, incluindo a extração de fotogramas de vídeos para análise e pesquisa.

É útil porque um vídeo pode circular com uma descrição nova, apesar de ter sido gravado noutro momento ou local. Pesquisar alguns dos seus fotogramas pode ajudar a recuperar esse contexto. Algumas funcionalidades avançadas têm acesso condicionado.

Por onde começar?

Eu começaria pela pergunta que queremos esclarecer. Se a dúvida é sobre a origem de um ficheiro, faz sentido procurar credenciais, marcas de água ou outros sinais de criação com IA. Se a dúvida é sobre a história que acompanha uma imagem, pesquisar onde apareceu e procurar fontes independentes pode ser muito mais útil.

Depois, é preciso aceitar que nem sempre vamos conseguir uma resposta. Quando isso acontece, também podemos simplesmente não partilhar.

As condições de acesso destas ferramentas variam e podem mudar. Antes de as integrar numa rotina de trabalho, vale a pena consultar os limites e as funcionalidades disponíveis nas páginas oficiais.

Num mundo em que criar conteúdos se tornou tão fácil, saber verificar aquilo que recebemos faz parte da nossa literacia digital. As ferramentas ajudam-nos a procurar. O cuidado com aquilo que fazemos a seguir continua a depender de nós.

Continue a aprender comigo

Se este guia lhe foi útil, pode continuar a explorar a IAteca da SuperHumano Academy, onde reúno ferramentas com explicações sobre o que fazem, quando podem ajudar e que limitações convém conhecer.

E, se quiser passar das ferramentas à prática, conheça os cursos e percursos da Academy. A ideia é a mesma que orienta este artigo: aprender a usar tecnologia com mais autonomia e critério.

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