Água açucarada ou mudar o mundo?

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Quer passar o resto da vida a vender água açucarada ou quer ter a oportunidade de mudar o mundo?
Foi assim que Steve Jobs desafiou John Sculley a trocar a Pepsi pela Apple, em 1983. Sculley contaria mais tarde que aquela pergunta o deixou sem resposta. Jobs sabia que, para o convencer, precisava de lhe apresentar algo maior do que um novo cargo ou um salário.
Sculley levou para a Apple a sua experiência de marketing na Pepsi e participou no lançamento do Macintosh, em 1984. A mítica campanha «1984», exibida no Super Bowl, apresentou a Apple como uma alternativa à conformidade e ao domínio da IBM. Foi um anúncio que praticamente não mostrou o produto, mas conseguiu comunicar uma visão muito para além das suas características técnicas.
Saber comunicar também é liderar
Para mim, saber comunicar e vender uma ideia, um produto ou uma visão é uma das capacidades mais importantes de um líder.
Podemos ter excelentes ideias, conhecimento, experiência e tecnologia, mas de pouco servem se não conseguirmos transmitir o seu valor e levar outras pessoas, sejam clientes, parceiros ou colaboradores, a acreditar nelas.
E isto vai muito além de falar bem em público ou preparar uma boa apresentação. Implica compreender quem temos à nossa frente, saber ouvir, adaptar a mensagem e encontrar a melhor forma de explicar aquilo que queremos alcançar.
Steve Jobs percebeu que não precisava de convencer Sculley de que a Apple era uma empresa melhor do que a Pepsi. Precisava de lhe mostrar uma oportunidade que ele ainda não tinha considerado.
A transformação não é só tecnologia
O momento de transformação que vivemos, particularmente com a Inteligência Artificial, exige muito mais do que conhecimento técnico.
Nas organizações, podemos disponibilizar as melhores ferramentas, desenvolver soluções e definir estratégias ambiciosas. Mas precisamos também de conseguir explicar o seu valor, envolver as equipas e criar condições para que as pessoas queiram participar na mudança.
É por isso que procuro aprender continuamente com profissionais de diferentes áreas, como Marcello Pepe (oratória), Jose Carlos F. Pereira (vendas e negócios), Alexandre Monteiro (linguagem corporal), Paulo Ferreira (decisão, vendas e negociação) e Sérgio Almeida (DISC), entre outros.
São áreas que complementam o meu trabalho com a tecnologia e que considero cada vez mais relevantes para quem lidera pessoas, projetos e organizações.
Comunicar é uma competência que continuo a desenvolver, tanto na forma como apresento as minhas próprias ideias como no trabalho que realizo com organizações que apostam na transformação digital e na literacia tecnológica das suas equipas.
Porque uma ideia pode ser tecnicamente extraordinária, mas precisa de ser compreendida, valorizada e aceite pelas pessoas para chegar a algum lado.